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sábado, 14 de maio de 2011

UMA SOCIEDADE EM CONSTANTE MUTAÇÃO



Uma marca dos tempos modernos é a sua facilidade em promover mudanças rápidas. Esta mutabilidade apressada destes dias, também provoca desajustes internos na família, visto que esta possui um perfil mais conservador e caracteriza-se por ser um espaço de afirmação de valores. Mas a sociedade moderna não está preocupada com isto, principalmente em se tratando de valores e princípios cristãos, que para o mundo são inibidores do prazer e da satisfação pessoal.

Vamos considerar alguns aspectos dessas mudanças ocorridas no mundo moderno que, de alguma forma, afetam a família.

a) A rápida obsolescência dos equipamentos - A sociedade em constante mutação que nos abriga e nos acolhe nos dias de hoje possui como ponta visível desse iceberg destrutivo, a rápida obsolescência das máquinas e equipamentos por ela criados. Nada é duradouro. As novas fabricações possuem caráter efêmero, passageiro, com a marca cruel da descartabilidade. Tudo isto leva a uma substituição contínua das posses da família, por novas acumulações que tomam o lugar das anteriores. Uma geração viu surgir o DVD e o CD e assistiu o ocaso das fitas e vídeos cassete e dos LPs. A mesma geração viu o surgimento da internet, do celular e a derrocada do aparelho de fax. Os agora obsoletos celulares da primeira fabricação deram lugar aos modernos aparelhos que acessam a internet. O que esta sociedade em constante mutação ensina à família, por via indireta, também é a descartabilidade das pessoas. Objetos descartáveis influíram na fragilização das relações humanas. O conceito de “bens duráveis” se reduziu minimamente. E neste pacote a família se misturou.

b) O avanço avassalador da tecnologia - O que está por trás desta rápida saturação dos produtos - e a necessidade imposta pelas leis de mercado para o surgimento e a oferta de novos, com um plus sedutor -, é o avanço espetacular das descobertas tecnológicas. O ser humano evoluiu no aspecto tecnológico e se brutalizou nas relações sociais. Como nunca as sociedades experimentam o terror da violência e das drogas. Até parece que o progresso almejado intensamente e parido a fórceps, não gerou outra coisa senão o desgaste, a superficialidade e a frustração em lugar do conforto, da tranqüilidade e do bem-estar tão desejados.

c) A incômoda pluralidade das idéias - Paralelo a tudo isto, a modernidade viu surgir um novo tempo em que as idéias se intercambiam e se espraiam pela sociedade como se fossem produtos de consumo da prateleira do supermercado da mente e da alma. Cada um segue o que quer, pensa o que quer, acredita ou deixa de acreditar no que quiser e ninguém tem nada a ver com isso. A sociedade, então, começou a perder suas raízes e a viver sob a égide do “hoje”, segundo a vã filosofia dos que não acreditavam na ressurreição: “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos” (1Co 15.32). Mas esta idéia imediatista e utilitarista da vida só ajudou a solapar com os valores cristãos e a minar a influência benéfica da família na formação dos indivíduos para viver em sociedade.

d) A rejeição angustiante aos valores morais - Como conseqüência, esse mundo plural impôs uma nova ética e uma nova moral onde se “é proibido proibir”. Vivemos numa verdadeira sociedade do “vale tudo”, em que qualquer intervenção no sentido de disciplinar, corrigir, é vista de forma atravessada, não sendo bem recebida, inclusive dentro das igrejas. Assim, estes novos tempos experimentados pela família, viram aparecer uma avalanche de violência, uma onda de drogadependentes, uma exaltação ao homossexualismo, o aumento do índice de gravidez na adolescência e tantos outros males que comprometem a vida futura de gente que se perde sem rumo e não se dá conta do poço sem fundo em que está se metendo.

Que Deus proteja as famílias cristãs das influências nocivas do mundo presente e que saibamos dar a resposta adequada aos clamores do mundo.

O DESAFIO DA BUSCA DE RELACIONAMENTOS CONFORME A VONTADE DE DEUS



Vivemos tempos difíceis para a família cristã e, conseqüentemente, para a juventude. Nossas famílias precisam estar fortalecidas para também poderem amparar seus jovens e lhes oferecer condições para o enfrentamento das adversidades e se tornarem vencedores.

A família cristã também vence os problemas do mundo moderno, com um padrão de relacionamento, seja conjugal (marido e mulher), filial (pais e filhos), fraternal (irmãos em Cristo) e vivencial (vizinhança e colegas diversos) vivendo-o em moldes superiores aos demonstrados por aqueles que não têm o temor de Deus (Mt 5.20).

Como conseguir isto? Através da experiência de fé e dependência de Deus. Para tanto, precisa-se cultivar o sadio hábito da comunhão na Palavra, diariamente, no lar. Ler a Bíblia e orar todos os dias com as crianças e todos da casa, é atitude que imprime valores e molda o caráter de uma forma que só podemos aquilatar quando nos tornamos adultos.

O relacionamento de um casal crente há que ser na base do amor, da espiritualidade, da compreensão, do diálogo, do carinho, do respeito mútuo e da aceitação da humanidade de um e de outro. Quando um casal procura ajustar-se, entendendo-se e fortalecendo-se mutuamente, fica mais fácil enfrentar as lutas da vida.

Da mesma forma, o relacionamento com os filhos há de ser respeitoso, ordeiro, amoroso, altruísta e pleno de espiritualidade. A harmonia do lar precisa ser sentida em cada instante, desde os momentos mais difíceis até aqueles em que se desfrute de abundância.

Devem, também, os membros da família cristã, procurar manterem-se firmes na busca de dar testemunho vivo da presença de Cristo em suas vidas. A boa convivência com os outros; o relacionamento amistoso com vizinhança, respeitando-se as regras do bom viver; tudo isto contribuirá para a conquista de um mundo melhor.

Que Deus nos abençoe a vivenciarmos a vida cristã de uma forma sadia e darmos bom testemunho do poder do Evangelho em nós.

A FAMÍLIA EM FACE DA MODERNIDADE



Se há uma instituição que sofreu com as grandes transformações ocorridas no mundo a partir das décadas finais do século XIX e ao longo de todo o século XX esta instituição foi a família. Os novos valores, a industrialização crescente, a busca desenfreada por progresso, as doutrinas humanistas e materialistas, a ode a um tipo de liberdade que se opõe à moral cristã, tudo isso contribuiu para desajustes internos que levaram a uma nova formulação do “ser família” e, em muitos casos, às perdas irreparáveis para aqueles que não conseguiram se adequar aos novos tempos.

Dentre tantas influências e resultados impostos à família pela modernidade, vamos destacar alguns que marcaram este momento e de alguma forma engendraram mudanças no contexto familiar.

a) Perda do referencial - A família sempre foi o lugar do “eterno retorno”. Podíamos sair para trabalhar, estudar, viajar e nos divertir, mas sabíamos que tínhamos um lar para onde, ao voltar, tudo se ajustaria novamente a uma normalidade tranqüilizadora. A modernidade trouxe alternativas. O indivíduo ampliou o seu mundo e de uma visão intra-lar, passou a cultivar uma visão exo-lar ou extra-lar. A casa já não mais é acolhedora, ela é conservadora e conseqüentemente inibidora de descobertas, de crescimento, de expansão, como o mundo de ofertas lá de fora insiste em nos alcançar. Então, a família passou a ser o epicentro de abalos morais e relacionais que expulsavam o indivíduo para fora - num sentindo inverso de sua vocação -, instigado que era pelas tentações advindas do poder desmantelador das seduções da modernidade sobre sua vida.

b) Superficialidade - A perda do referencial familiar - numa transição sutil do poder de influência, principalmente sobre os mais novos membros da família (crianças, adolescentes e jovens) -, transição esta do poder de coerção da família para o poder liberalizador da sociedade, da mídia e do dinheiro, fez com que surgisse uma era de relacionamentos superficiais, descartáveis, bem ao gosto de cada um e de interesses menos nobres. Esta superficialidade gerou novos relacionamentos intra-lar dos tipos: “cada-qual-vive-como-quer” e “ninguém-é-de-ninguém”, onde relacionamentos frios, distantes, vivendo-se sob a sombra do amor e da comunhão do passado, vão transformar a residência em mero dormitório ou lugar de passagem para voltar a ganhar o mundo de fora no dia seguinte.

c) Descompromisso - Nessa modernidade detentora de novos valores, os membros da família passam a ter compromisso somente com a sua satisfação pessoal. O hedonismo marcante dos nossos dias - em que a satisfação e o prazer pessoais precisam ser alcançados a qualquer custo - é também decorrente dessa modernidade que, ao promover uma superficialidade de relacionamentos, também impõem um total descompromisso para com o outro. O próximo como alvo de atenção humanitária e cristã {como no exemplo do “Bom Samaritano” (Lc 10.25-37) ou do ensino de “amar ao próximo como a si mesmo” (Mc 12.28-34)} deixou de ser a quintessência da virtude solidária, para ser “o inimigo”, “o competidor”, “o frustrador de sonhos”. Ninguém quer se comprometer com nada nem com ninguém. Já temos problemas demais para resolver.

d) Competitividade - Então, estes tempos modernos nos jogam dentro do cruel alçapão da competitividade. Temos que ser bons para prevalecer. Mais que isto, temos que ser os melhores. E isto não só com relação ao mercado de trabalho, mas também em todos os demais aspectos da vida: cultura, sociedade, esportes e até família. Foi deflagrado um processo de competição geral em que estamos sempre nos medindo, comparando, batendo com o outro para conferir quem sabe, quem faz e acontece e quem é o melhor. Então o outro deixa de ser parceiro para ser adversário. E a vida vai se tornando cada vez mais árida e atroz.

e) Urgência - Paralelo a tudo isto se impõe um angustiante sentido de urgência. O que precisa ser feito deve ser feito já. Vivemos uma sociedade apressada, onde a correria é sua marca e o frenesi sua paixão. Não paramos, pensamos, ponderamos. Agimos. E no agir desavisado e tresloucado, nem sempre a presença da sensatez e do equilíbrio, mas a ânsia da realização para se conquistar um lugar ao sol. E muitas vezes isto contamina as famílias cristãs e a própria igreja que cai num ativismo “emburrecedor” que consome energia e aniquila esperanças.

A modernidade, com sua herança nem sempre bendita, precisa ser avaliada face aos problemas enfrentados pelas famílias de nossos dias a fim de que não haja maiores prejuízos do que os que já estão ocorrendo.
Que Deus abençoe cada um de nós a vivermos de acordo com sua vontade e a construirmos famílias biblicamente ajustadas.

O PROJETO ORIGINAL DE DEUS PARA A FAMÍLIA



O modelo de família de Deus para a humanidade e, mais especificamente para os seus filhos, é o modelo de relacionamento responsável, união estável, amor conjugal, interesse mútuo, paternidade e maternidade responsável, participação solidária na vida familiar.

No projeto original de Deus, sua percepção de que não era bom o homem estar só, o leva a formar a mulher, com o propósito de que esta viesse a ser sua companheira, sua ajudadora (Gn 2.18-25). Daí se originou os primeiros filhos. Estava formado o primeiro núcleo familiar no mundo, dentro dos padrões de Deus.

A família que nasce em Deus, é uma família voltada para a satisfação do ser: "Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18). Esta constatação, por si mesma, evidencia que Deus estava interessado no bem estar da sua criatura. Família, portanto, surgiu para trazer satisfação, complementação, ajuste, prazer, alegria, plenitude e todos os outros sentimentos inerentes a própria condição de ser família. Ou seja, família é para ser bênção segundo a intenção original de Deus. Daí, os servos do Senhor não deverem se contentar com nada menos que uma família bem estabelecida, ajustada, onde reine a paz e o amor. Se não experimentam esta realidade por algum motivo circunstancial, devem lutar diante de Deus, corrigir seus erros (2Cr 7.14) e arrependidos procurar elevar a sua família à condição original para a qual Deus a estabeleceu.

No plano divino a família é formada de um só parceiro/a, por isso Deus providenciou apenas uma companheira para Adão (Gn 2.18) e recomendou que os líderes fossem maridos de uma só mulher (1Tm 3.2). Ele estabeleceu que o casamento fosse o lugar para procriação e que o casal teria essa tarefa de povoar a terra (Gn 1.28). Estabeleceu que o relacionamento entre marido e mulher fosse de submissão, por parte dela (Ef 5.22) e amor, por parte dele (Ef 5.25). Ele definiu que os filhos são bênçãos, heranças, do Senhor (Sl 127.3-5) e que por isso, os pais deveriam zelar por eles, aplicando disciplina, se necessário, com amor (Ef 6.4). Também definiu que os filhos fossem obedientes a seus pais (Ef 6.1) e que a eles deveriam honrar, prometendo longevidade para aqueles que assim procedessem (Ex 20.12). Qualquer constituição familiar que fuja a este padrão divino é pecado, pois contraria frontalmente a intenção de Deus, caracterizando-se como desobediência aos seus ensinamentos. Todo servo de Deus deve primar por uma família dentro dos padrões divinos.

Se necessário, a família deve optar pelos ajustes, mas nunca incorrer em embustes, fugindo daquilo que é recomendado pelas Sagradas Escrituras. O servo do Senhor quererá agir e viver em conformidade com a vontade de seu Deus. Que Deus abençoe cada um de nós a vivermos de acordo com sua vontade e a construirmos famílias biblicamente ajustadas.

COMPREENDENDO O LUGAR DA FAMÍLIA CRISTÃ NO MUNDO



Que papel deve desempenhar uma família cristã hoje? De que forma esta família pode ser significativa para a sociedade em que vive? O que será que os outros, os não-cristãos, esperam das famílias cristãs? Estas são perguntas de grande relevo, posto que nos levam a refletir sobre a participação que devemos ter como famílias cristãs em nossos dias. E o que Deus espera de nós? Vivemos o eterno conflito do "estar no mundo sem ser do mundo" (Jo 15.19). Isto nos aponta dois aspectos básicos que precisam ser experenciados com sabedoria:

1º) Somos família como qualquer outra. Ou seja, somos uma família normal. Temos direito de nos angustiar, quando alguma coisa nos aflige; chorar, quando estamos entristecidos; sorrir, quando há alegria; divertir, quando há motivo para isso.
Vivemos a experiência da vida dentro dos parâmetros normais da humanidade que em nós ainda fala alto e por isso: amamos, cantamos, gritamos, corremos, saltamos, nos cansamos, comemos, bebemos e dormimos.

Somos o que somos nos louvores ou nos folguedos; nas ambições ou nos fracassos; nas conquistas ou nas esperas. Enfrentamos as filas do INSS; o aperto do salário pequeno; o desgaste das filas de banco; a dor da perda de um ente querido; as derrotas do Fluminense (rsrsrs); o cansaço de um dia fastiento; as inseguranças de um filho; as doenças de um familiar e muito mais.

Ser família para nós possui todos os componentes naturais de uma família moderna que precisa acordar cedo para o trabalho ou a escola, que precisa ser responsável e ter o seu ganha-pão, que precisa se imbuir de esperança, coragem e forças para enfrentar todas as vicissitudes da vida. Nada foge à regra da existência comum debaixo desse sol que continua sempre o mesmo: a brilhar e a aquentar maus e bons desde a fundação dos tempos (Ec 1.9; Mt 5.45).

2º) Somos família de uma forma diferente. Quer dizer, não dá para anunciar que somos salvos, que temos a Cristo como nosso Salvador pessoal, e não mostrar para o mundo, e para a vizinhança de forma especial, a nova vida em Cristo. É preciso que nossa vivência familiar na rua em que moramos e no bairro de nossa residência demonstre alguma coisa diferente que é exatamente esta presença restauradora de Cristo em nós.

Seremos famílias normais, mas famílias que se pautam por um diferencial: O reinado de Cristo sobre suas vidas. Famílias onde há lutas e há dificuldades; mas há força de vontade, há comunhão, há harmonia, há desejo de superação, há expectativas, tudo isso a partir da atuação vitoriosa de Deus em nossas vidas.

As pessoas lá fora, quando têm problemas, enchem a cara de cachaça, se drogam, se prostituem e tornam suas vidas mais caóticas ainda. Nós, pela presença do Espírito de Deus, enfrentamos as crises familiares com joelhos no chão, em oração; com dependência de Deus, em submissão à sua vontade.

Temos este grande desafio de compreender o nosso papel como famílias cristãs, vivermos o Evangelho condignamente e ser sal e luz para aqueles que precisam do nosso testemunho para se encontrar com Deus.

Que Deus abençoe cada família da Igreja na busca dessa vivência espiritual do ser família cristã.

O CONFLITO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NA FAMÍLIA



Se a fé possui um valor inestimável na construção da solidez do lar e do equilíbrio da família, isso não significa que a sua presença e afirmação diante de outros valores que o mundo tenta impor ao cristão moderno seja fácil. Uma vida de fé verdadeira deve levar: ao amor cristão; à solidariedade; ao serviço na Obra de Deus; ao bom comportamento; à uma vida exemplar; à um linguajar condizente com o temor a Deus; à honestidade nos negócios; à inconformação com a injustiça; à uma vida de piedade; ao desprendimento em prol do Reino de Deus; à paixão pelas almas; à harmonia no lar e tantos outros valores que precisam ser demonstráveis no dia a dia.

A distância que muitas vezes existe entre teoria e prática da fé nas famílias cristãs faz com que se perca muito da sua eficácia. Se os nossos filhos não puderem perceber que o que cremos é o que vivemos, então o que cremos não será tomado como motivação para a vida por eles. Com certeza as gerações mais jovens precisam de valores seguros pelos quais possam viver e ideais pelos quais venham a lutar, mas se não demonstrarmos sentido e significação nos valores de fé que cremos os mesmos perderão toda a sua validade.

A máxima “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”, pode ter sentido num contexto de autoritarismo; mas religião não se impõe pela força a não ser à força da fé, do espírito, da compaixão, da solidariedade e do amor. “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos” (Zc 4.6). Se as famílias procurarem estabelecer uma harmonia entre o que se crê e o que se pratica, fazendo uma ponte segura entre teoria e prática, então, os filhos serão abençoados de tal forma que poderão extrair exemplos seguros para o seu futuro.

No ambiente da família estamos todos nus, literalmente. Somos o que somos; sem sombras nem subterfúgios. É no contexto da família que tiramos as máscaras, mostramos a nossa verdadeira face. Nas atividades mais comezinhas da vida, nas questões do cotidiano, o modo como nos defrontamos com os problemas, a capacidade que temos de pedir perdão; voltar atrás, se erramos; aconselhar; conversar; amar e ser amado; dar carinho; tudo isto vai mostrar quem realmente somos. Se ao tirarmos a máscara não aparecer um monstro, seja o monstro da hipocrisia ou mesmo o monstro da indiferença, então nossos filhos, nossos vizinhos e nossos amigos perceberão a sinceridade de nossos compromissos.

A fé que resiste ao teste da família resiste ao teste da vida. Fé combina com família, quando família combina com amor. Na dureza da batalha do dia a dia, quando se vive em harmonia com a fé, a vida sai vitoriosa.

Que Deus abençoe a nossa Igreja e que as famílias que a constituem possam estar edificadas no Senhor.

A FAMÍLIA CRISTÃ PODE MARCAR DIFERENÇA



Embora o Evangelho no Brasil tenha se desenvolvido muito nas últimas décadas e, com o crescimento, a população evangélica tenha invadido os extratos mais altos da sociedade; isto não pode nos fazer esquecer que milhões de nossos irmãos ainda continuam nas classes "D" e "E" e, como tais, ainda sofrem os percalços de muitas necessidades.

A família cristã pode marcar diferença para os "irmãos de fé", colocando em prática a recomendação de Paulo: "Façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl 6.10). Porém, pode e deve, marcar diferença para esta sociedade "corrupta e perversa" em que estamos inseridos (Fp 2.15).

Esta diferença engloba várias circunstâncias que não podemos estar esquecidos delas. Se no passado, o crente alimentou certos estereótipos, dos quais lamentamos hoje; todavia, hoje, precisamos ser responsáveis na construção de uma vida cristã autêntica. Nós mesmos somos os culpados por termos "vendido" a imagem que temos para os de fora. Ou quem será que ensinou aos incrédulos que crente era assim, não fazia isto, não participava daquilo? Etc? Fomos nós mesmos!

Mas, se temos que lutar para abolir certos estereótipos desalentadores, por outro lado, há compromissos dos quais não podemos abrir mão. Melhor seria que o crente fosse identificado pelo que ele faz e não pelo que ele não faz. Não fumar, não beber, não ir a festas rave, punk ou funk, pode ser importante do ponto de vista espiritual e de testemunho, mas não representa verdadeiramente a vida cristã, pois há muitos não-crentes que são melhores do que nós nisto. É preciso marcar diferença pela qualidade de vida: amorosa, dedicada, fiel, piedosa, conselheira, amiga, justa, transparente, ordeira. Os valores positivos que pudermos mostrar serão nossa bandeira neste mundo caótico.

Esta vivência da espiritualidade sadia começa em casa e continua entre os vizinhos. Aqueles que convivem mais de perto conosco são as principais testemunhas do que somos. Já se tem dito que a casa é o melhor lugar para se conhecer uma pessoa, tal como ela é. Em casa tiramos as máscaras; somos o que somos. Nossos filhos são testemunhas oculares de nossos destemperos, omissões, sentimentos e emoções.

A família cristã precisa desenvolver uma qualidade de vida tal que a vizinhança tenha prazer em nos ter ali por perto. Sabe aquele vizinho "chato", perturbador, que todos almejam que ele consiga outro emprego, seja transferido, essas coisas, para mudar da rua? Pois é, este vizinho nunca pode ser um crente. Se existe um crente que se enquadre nesta categoria ele está depondo contra o Evangelho da graça de Cristo e está sendo motivo de impedimento a salvação de vidas. Temos que transformar o mundo e não tomar a forma do mundo (Rm 12.1,2).

Costumamos perguntar aos crentes de nossas igrejas quantas vidas eles já levaram para Deus. Com alegria vemos que muitos têm assumido este compromisso da evangelização e têm encaminhado pessoas para os céus. Mas, e se perguntássemos o contrário: Quantas vidas deixaram de se aproximar de Deus por sua causa? Quantos estão ainda perdidos no mundo por sua culpa? Às vezes isso ocorre por causa da nossa omissão na pregação do Evangelho; mas, muitas vezes, por conta de nosso mau testemunho.

Existe o crente "cri" e o crente "cri-cri". O crente cri é aquele do Salmo 116.10: "Cri, por isto falei!" Este tipo de crente, por ter sido alcançado por Deus e estar satisfeito em sua vida cristã, não se cansa de testemunhar e falar do amor de Deus. Está interessado no outro e em sua condição espiritual. Já o crente "cri-cri", bem esta é uma expressão antiga, do meu tempo, que se refere a uma pessoa criadora de casos, ou, como registra Aurélio em seu famoso Dicionário, "pessoa muito tediosa, chatíssima". Pois há crentes que se comportam dessa maneira e em vez de ajudar outros a irem para os céus, são motivo de impedimento. Lembremo-nos da advertência de Jesus: "Ai do mundo, por causa dos tropeços! Pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço vier! (Mt 18.7). O Apóstolo Paulo recomenda a tolerância para com os fracos na fé, mas orienta no sentido de que não venhamos a "pôr tropeço ou escândalo" ao nosso irmão (Rm 14.13).

Que Deus abençoe a nossa Igreja e que as famílias que a constituem possam estar edificadas no Senhor.

APRENDENDO LIÇÕES COM AS FAMÍLIAS BÍBLICAS - II



Dando seqüência ao que apresentamos no domingo passado, vamos avaliar mais algumas lições que as famílias constituídas na Bíblia podem nos deixar. Está em nossas mãos aplicarmos isto para nossas famílias hoje. O que aprendemos com as famílias da Bíblia?

8º) Aprendemos que devemos constituir uma família monogâmica. Com Isaque aprendemos que o amor de um homem é para uma mulher e vice-versa, assim como a Bíblia registra deve ser o casamento dos servos de Deus, “marido de uma só mulher” (1Tm 3.2). Qualquer comportamento diferente desse traz pecado e confusão.

9º) Aprendemos que o amor é a base da família. Sem amor não há família, porque sem amor não há casamento. Isaque amou Rebeca, que amou Isaque. Jacó demonstrou amar intensamente Raquel. O amor é fundamental para a sobrevivência do lar.

10º) Aprendemos que não devemos ser impacientes com relação aos assuntos de família. Se há um lugar onde a paciência deve reinar, este lugar é o lar. A paciência é companheira do amor. Diz o apóstolo Paulo que “o amor é paciente” (1Co 13.4-7). Jacó teve a paciência necessária para desposar-se com sua amada Raquel. O mesmo aconteceu com José em relação à Maria.

11º) Aprendemos que não pode faltar fidelidade na família. São muitas as tentações para não se viver a vida familiar e o casamento de maneira fiel. Que o diga José e as tentações que sofreu da mulher de Potifar. Porém, em tudo José foi fiel, tanto ao seu Deus, à sua família, aos seus patrões e aos seus princípios. Sem fidelidade de ambas as partes não há como se sustentar um casamento.

12º) Aprendemos que a família precisa desenvolver uma relação fraterna. Os sentimentos de fraternidade encontram no ambiente do lar o único espaço (fora o da Igreja) onde podem ser expressos de maneira plena. Se não os encontrarmos nos lares cristãos é bem provável que também desapareçam das igrejas cristãs. A família de Anrão nos ensina a fraternidade.

13º) Aprendemos que não pode faltar união na família. Família desunida é sinônimo de caos. Ela coloca-se à beira do abismo. A família de Moisés nos ensina os dois pólos dessa verdade: Quando esteve unida, foi abençoada; quando raios de desagregação caíram sobre ela houve conseqüências lamentáveis.

14º) Aprendemos que não pode faltar compromisso com Deus na família. Somente quando a família assume um compromisso verdadeiro com Deus ela credencia-se às bênçãos divinas. Josué nos deixa este exemplo magnífico: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor!”

15º) Aprendemos que não pode faltar companheirismo na família. Na família de Elimeleque temos um exemplo bastante expressivo de mulheres que possuíam uma afinidade a toda prova. Rute, Orfa e Noemi mostraram que eram companheiras para a jornada da vida; seja ela qual fosse.

16º) Aprendemos que não devemos deixar a família envolver-se em sentimentos de ganância. Quando sentimentos menos nobres tomam conta da família, ela acaba perdendo seus rumos. É preciso contentamento com as coisas humildes, subordinando-se à vontade divina (Tg 4.13-17).

17º) Aprendemos que não podemos permitir que a mundanidade tome conta da família. É fácil criticar as outras famílias e achar que só a nossa está em conformidade com a vontade de Deus. Muitas vezes o mundanismo entra sorrateiramente no ambiente familiar e vai tomando conta. Precisamos separar o joio do trigo, optando sempre pelo trigo divino.

Que Deus abençoe a nossa Igreja e que as famílias que a constituem possam estar edificadas no Senhor.

APRENDENDO LIÇÕES COM AS FAMÍLIAS BÍBLICAS - I



As famílias constituídas na Bíblia podem nos deixar lições importantíssimas para nossos dias. Basta que queiramos descobri-las e vivê-las. O que aprendemos com as famílias da Bíblia?

1º) Aprendemos que não devemos deixar a mentira e a desobediência entrar no seio da família. Quando isto acontece, problemas fazem com que a família se desestruture e tenha sérios prejuízos. Isto aconteceu com as famílias de Adão e de Acã.
2º) Aprendemos que não devemos deixar a família envolver-se com o roubo. A posse de coisas que não lhe pertencem não deve ser permitida na família. O furto é um pecado condenado nos Dez Mandamentos (Ex 20.15) e Acã e sua família sofreram as conseqüências deste erro.

3º) Aprendemos que não devemos deixar a prostituição e a infidelidade corromperem a família. Estes pecados são diretamente contra a família, pois agridem a sua constituição e ferem frontalmente os princípios do amor e do respeito que devem construí-la. O pai de Jefté envolveu-se nestes erros trazendo conseqüências funestas em função da quebra do Sétimo Mandamento (Ex 20.14).

4º) Aprendemos que não devemos permitir que a discriminação e a preferência atrapalhem a comunhão no seio da família. Tanto a família de Gileade quanto a família de Jacó sofreram desse mal. Quando pais têm preferências por algum filho, isto gera descontentamento e ciúme nos outros, provocando raiva, inveja e discriminação. Não permitamos que estes erros estraguem a família.

5º) Aprendemos que não devemos descuidar da educação da família. Esta educação diz respeito tanto ao aspecto geral (social, intelectual) quanto ao aspecto espiritual (Bíblia, Igreja). Quando nos descuidamos da educação dos filhos, as conseqüências logo vêm em filhos na perdição como aconteceu com os filhos de Eli.

6º) Aprendemos que precisamos amar os filhos mas não podemos ser coniventes com sua impiedade. Novamente os filhos de Eli são exemplos negativos desta questão. Amamos os filhos, mas não podemos acobertar os seus erros; assim como Deus nos ama, mas não aceita nossos pecados. Muitos pais equivocam-se em proteger em demasia seus filhos. Estão estragando-os!

7º) Aprendemos que a fé e a obediência são de extremo valor para a família. As famílias de Noé e de Abraão são exemplos máximos de uma vida de fé e obediência. Tal comportamento as levou a serem famílias especiais, que deram origem a novos momentos na história da humanidade. Precisamos seguir estes exemplos em nossas famílias hoje.

Que Deus abençoe a nossa Igreja e que as famílias que a constituem possam estar edificadas no Senhor.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

DO SENTIDO DO NATAL!



Dezembro é Natal. O que é o Natal? Temos um cenário grandioso nas imediações de Belém: manjedoura, estrebaria, estrela guia, pastores e magos. Nasceu o redentor. É a intervenção divina na história para inauguração de um novo reino; o reino dos céus. O que é o Natal?

Natal é festa! Não se admite o Natal sem festa. Natal é um momento em que a festa está presente, porque não se admite alegria sem festa. A alegria de ter nascido o Salvador é algo que não se pode medir. Agora, é preciso ter cuidado para que a festa não perca sua motivação. É, essencialmente, uma festa espiritual. Quando foge disto, não presta!

Natal é família! A celebração do Natal é essencialmente comunitária. Alegria é para ser compartilhada, vivida em comunhão. Por isso que o Natal precisa ser celebrado como algo que una pais e filhos, que aproxime irmãos e primos, que envolva os familiares no sentido mais profundo do ser família como idealizado por Deus.

Natal é amor! O Natal é a expressão máxima do amor de Deus. Um amor doador, um amor incondicional que lança mão do próprio filho para ofertá-lo à humanidade. O amor de Deus revelado em Cristo deve ser a essência do Natal. Sem amor não somos nada, não subsistimos. A vida torna-se árida e as relações humanas difíceis.

Natal é esperança! Porque a vida é signo de renovação. A chegada de um novo ser é reveladora da possibilidade da continuidade da existência, da perpetuação da espécie, da transferência de valores. O Natal de Cristo é isto e muito mais, porque seu nascimento nos propõe a esperança de dias melhores, da paz de Deus, da comunhão com o Emanuel.

Natal é salvação. Sim, porque o Cristo que é celebrado veio com uma missão. E o propósito da sua vinda é a redenção da humanidade. Não precisamos mais viver debaixo do incômodo da condenação. Jesus conosco, que nasce e vai a Cruz, é a garantia de salvação para todos os que crêem.

Natal é vida eterna! O Natal é apenas o começo de algo especial que Deus faz acontecer em nossas vidas. Natal é, para os que crêem, a plena convicção de que temos garantida a vida eterna com Deus nos céus. Não só o Natal de Cristo aponta isso, mas o Natal-de-Cristo-em-nós sinaliza a eternidade.

Saibamos viver e celebrar o Natal nos seus verdadeiros valores.

domingo, 8 de maio de 2011

A CULTURA DO "TÔ NEM AÍ..."


Instalou-se na sociedade brasileira atual a cultura do descompromisso. Algo como uma total falta de seriedade com os valores e princípios, sejam eles cristãos ou não. A expressão máxima dessa cultura é veiculada nas rádios através da música cujo refrão, "Tô nem aí..." mostra que o importante é viver a vida do jeito que dá e quem quiser que se dane!

Dentro dessa perspectiva, os namoros deixarem de ser oportunidades de crescimento - aquele jeito especial de convivência com o sexo oposto buscando o conhecimento do outro com vistas a um compromisso mais sério -, para ser a expressão dos desejos libidinosos de uma sociedade em busca eterna do prazer a qualquer custo.

Para tanto, o outro é apenas objeto. Manipulável ao gosto do freguês para se obter os resultados almejados. E, como tal, descartável, pois tão logo se alcance a satisfação desejada, o outro perde sua significância. Isto é resultante deste sistema-mundo em que a filosofia hedonista, materialista e consumista, divulgada e incensada pela mídia, promove a transgressão da vida pelo viés do prazer, achincalhando com os valores e subvertendo o que vale a pena buscar, instaurando o reinado do lixo, da podridão e da superficialidade.

Os que mais sofrem com esta maneira equivocada de pensar a vida são os jovens e adolescentes que, ao tornarem-se alvo de uma indústria do entretenimento, voltada para auferir lucros com a promoção ensandecida da satisfação do corpo, acabam por jogar fora o que têm de melhor que são seus anos felizes da juventude, os quais são consumidos nas drogas e na libertinagem.

Para o adolescente cristão, o namoro deve ser algo sério. Não pode vender barato sua santidade, sua espiritualidade. Não pode vendê-la a custo nenhum, pois suas vidas foram compradas por alto preço: o sangue de Cristo! "Ficar" é ilusão! É abrir brechas para o inimigo. É deixar-se usar e sentir o gosto amargo da derrota travando a boca. "Ficar" é frustrar-se! É adiar o inevitável: a vida passa e não se está encarando com seriedade o futuro. Quando se der conta, o tempo se foi e não se construiu um relacionamento sério, pois não se investiu nisto.

Assim sendo, é importante olhar com seriedade a vida como um todo e, especificamente, o namoro. Os adolescentes e jovens precisam cultivar uma vida saudável agora para que toda a vida continue com saúde. Escolhas erradas neste tempo presente podem comprometer toda uma existência.

"Tudo o que o homem semear, isto também ceifará..."

Que Deus nos abençoe!

COMO CONSTRUIR A ÉTICA NA FAMÍLIA




Dias desses, interceptei um diálogo de um casal que andava na mesma calçada que eu na cidade onde moro. Ela: - “Dá pra falar direito comigo!” Ele, tentando imitar o tom e na mesma altura destemperada que ela: - “Dá pra falar baixo comigo!”

Percebia-se naquele casal a crise existente entre macho e fêmea em nossos dias: Ela quer atenção, carinho e um tratamento que valorize sua pessoa e feminilidade. Ele quer respeito, consideração e afirmar a sua autoridade de homem.

Vivenciar estes conflitos é próprio da raça humana nas suas relações interpessoais. Não saber administrá-los, descamba para aspectos comportamentais que são objeto de análise da Ética em seus estudos dos ajuizamentos que se faz com base na apreciação acerca da conduta humana.

Definir o que é certo e o que é errado, ter condições de diferenciar entre o bem e o mal, e isto não só do ponto de vista de uma sociedade em particular, mas, também, de uma forma mais abrangente, em torno de valores que se definem universalmente como absolutos; é algo que faz parte da vida humana.

A questão é: A Ética é aprendida? Se for, quando e como se deve começar a ensiná-la? O exemplo que citamos mostra não só o descontrole de um casal na administração de suas questões familiares, mas a incapacidade de tratá-las com ética e etiqueta. Do lar para a rua, do privado para o público, o casal permitiu que sua intimidade fosse exposta e que seus conflitos tumultuassem a relação.

Se a Ética está muito próxima da Moral, a ponto de se confundirem, vale frisar que a sociedade em que vivemos – por muitos considerada uma sociedade pós-cristã -, tem sido enrodilhada numa rede de corrupção que compromete os relacionamentos e dificulta a construção de alicerces sólidos para o futuro.

Além dessa Ética Social que vigora nos países organizados numa base cristã ou mesmo sob a égide de um conceito de divindade que rege o Universo, existe a ética bíblica ou a ética cristã que é aquela que regulamenta o comportamento dos indivíduos que seguem essa doutrina.

Para os cristãos, não basta ser legal, tem que ser moral. Isto equivale a dizer que nem tudo que está regido pelas leis humanas é aprovado pela Palavra de Deus. O Apóstolo Pedro manifestava esta idéia quando dizia: “Importa antes obedecer a Deus que aos homens“ (At 5.29).

Recordando uma frase muito conhecida: “O que não é proibido é permitido!”, concluímos que os valores éticos e comportamentais são preservados através de códigos, regulamentos, estatutos e constituições. Estas regras são valiosas para regularem o funcionamento da Sociedade. Sem elas tudo vira um caos. Para o cristão, seu código de conduta é a Bíblia. Por isso que os Batistas a definem em sua Declaração de Fé como “única regra de fé e prática”. Os evangélicos, em sua maioria, também propugnam pela inerrância da Bíblia. E quando assim o fazem, crêem que a Bíblia é a Palavra de Deus, orientação divina para suas vidas. Então, os valores maiores para a vida de um cristão começam em Deus. Como disse Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é relativo”.

Essa sociedade relativa, temida pelos cristãos e pelos humanistas sérios, é a que deu origem à permissividade dos nossos dias, em que tanto na esfera individual quanto coletiva se experimenta uma crise de valores que compromete a família como base da sociedade. Quando na vida privada o indivíduo já não consegue filtrar as influências que lhe são exercidas e rechaçar o que não é adequado aos bons costumes, tal comportamento vai se refletir em sua vida pública, onde ele vai tratar as coisas coletivas como pessoais, desrespeitando o próximo e usufruindo os outros pra seu bel prazer.

A crise política que grassa no país hoje é fruto de uma Ética que foi deixando de ser referencial para a população há muito tempo. Todos vivem como querem regidos por valores hedonistas, materialistas e consumistas. Todos querem ser felizes a qualquer custo. E, com isso, valores cristãos que moveram as sociedades ao longo dos séculos são rechaçados como retrógrados e contraproducentes. É politicamente incorreto hoje pregar contra o homossexualismo; o consumo, socialmente aceito, de bebidas alcoólicas; o namoro livre e as relações de amizade colorida; a prática do “jeitinho brasileiro” para resolver situações emergenciais através de propinas e outras.

Em um mundo como o que vivemos, os valores cristãos são relegados a um segundo plano e até mesmo condenados. Como vencer esta crise de ética que toma conta do país? Como preparar nossos filhos para viverem no meio desta geração “corrupta e perversa” (Fp 2.15)?

Primeiro é preciso entender que ética comportamental se aprende. Nossos filhos serão aquilo que a eles ensinarmos sob a direção divina e aquilo que com eles vivermos no recôndito do lar e na esfera total de nossas vidas. Ou seja, ensino e vida.

Em segundo lugar, além de darmos demonstrações inequívocas de idoneidade em todos os aspectos, precisamos prepará-los para o confronto. Há certa dose de sofrimento para as crianças, adolescentes e jovens cristãos, por serem diferentes. Quando se quer pautar a vida pelos valores cristãos, se abre a possibilidade de sermos discriminados e tratados como “ETs” neste mundo imoral. Mas é necessário pagar o preço, e é necessário trabalharmos o emocional de nossos filhos para esse enfrentamento.

Algumas dicas cotidianas para mostrarmos aos nossos filhos o valor da ética e da vida honesta diante de Deus e do mundo:

1ª) Não minta. Seja o seu falar “sim, sim; não, não” (Mt 5.37).
2ª) Ame ao próximo como a si mesmo (Mt 22.39).
3ª) Ame a Deus sobre todas as coisas (Mt 22.36-38).
4ª) Seja praticante de uma justiça que excede a qualquer comportamento farisaico, ou seja, não faça nada só por aparências, mas faça por verdade e também por bons costumes (Mt 5.20).
5ª) Cumpra os seus compromissos e seja honesto nos negócios (Sl 15).
6ª) Não valorize novelas e programas de auditório na tevê que são instrumentos de Satanás para veicular comportamentos licenciosos e imorais.
7ª) Ajude seus filhos a desenvolverem uma consciência crítica. Eles próprios precisam aprender a definir o que querem da vida: o que vale a pena e o que não presta.
8ª) Trabalhe o caráter de seu filho dando exemplo e corrigindo os erros que a natureza pecaminosa humana faz brotar na primeira infância: mentiras, birras, murmurações, azedumes, invejas, competições, pequenos furtos, fingimentos, escárnio, dentre outros.
9ª) Não se associe com pecadores, mas mantenha comunhão intensa com o povo de Deus (Sl 1; 2Co 6.14).
10ª) Oferte com liberalidade para a Obra do Senhor e faça-o com alegria (2Co 9.7).
11ª) Seja dizimista fiel (Ml 3.8-10).
12ª) Tenha coerência sempre na comparação entre seu discurso e sua prática (Tg 2.14-26).
13ª) Recolha os impostos devidamente: “A César o que é de César” (Mt 22.21).
14ª) Seja fiel a Deus: “A Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).
15ª) Não aceite subornos de espécie alguma (Sl 15).
16ª) Não ofereça nem aceite propinas (Sl 15.5).
17ª) Não se envolva com negócios escusos (Ef 6.5-9).
18ª) Cumpra com seus deveres de cidadão (Mt 22.21; Rm 13.1-7).
19ª) Honre os compromissos assumidos (Ec 5.4,5).
20ª) Cultive elevados hábitos e pensamentos (Fp 4.8).
21ª) Evite a aparência do mal (1Ts 5.22).
22ª) Seja vigilante e cuidadoso em tudo (1Pe 4.7; 5.8).
23ª) Resista firmemente ao Diabo (Tg 4.7).
24ª) Fuja da tentação, da prostituição e da idolatria (1Co 6.18; 10.14).
25ª) Não seja conivente com o erro (At 5.1-16).
26ª) Não se deixe iludir por presentes ou lisonjas (Pv 17.8; 18.16; 19.6).
27ª) Não busque os seus próprios interesses (1Co 13.5).
28ª) Viva uma vida digna (At 26.20; Hb 11.38).
29ª) Não ajunte tesouros na terra como se aqui fosse o lugar último de nossa habitação (Mt 6.19-21).
30ª) Busque primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33).

Como deu para perceber, oferecemos uma série de dicas com base nas Escrituras. Esta lista poderia ser bem mais extensa, mas optamos em terminá-la por aqui, relembrando que ao homem de Deus basta seguir seus mandamentos e obedecer à sua vontade. Se os pais mantiveram a Bíblia como fundamento do lar, resguardando os filhos pela Palavra e vivendo no temor do Senhor, estarão oferecendo a melhor fundamentação para a construção da Ética cristã e a lapidação do caráter dos filhos.